 1. O Ano Litúrgico
O ano é como uma roda com 365 raios: continua a rodar sempre: terminada uma volta, começa outra e depois outra e assim continua sem parar. A nossa vida é composta de 20, de 50, de 70 dessas voltas, de quantas o bom Deus nos conceda passar neste mundo. Os raios de uma roda estão todos unidos, no centro, a um eixo. Pensai, então, que esse eixo seja formado por uma grande luz que irradia o seu esplendor para todos os pontos da roda. Eis, portanto: a luz é Cristo que ilumina todos os dias do ano com a sua mensagem, com a sua palavra, com a sua vida. Será, porém, suficiente receber essa luz somente uma vez? Sabemos que não é possível conhecer uma pessoa num único encontro de poucos minutos. Para que um rapaz e uma jovem se sintam enamorados não é suficiente que se tenham encontrado uma única vez por ocasião de uma festa...; é necessário repetir os encontros para que cada um possa conhecer o coração do outro, para poder avaliar se conseguirão viver juntos; somente após um determinado tempo terão condições de tomar a decisão de constituir uma família. Da mesma forma a pessoa de Cristo não pode ser apresentada num único dia, com poucas palavras. Se, no decurso de um ano, chovesse uma única vez, por acaso as nossas lavouras produziriam alguma coisa? Não, com certeza. Para poder colher muito trigo, muito milho, muito feijão, muito amendoim, é preciso que haja sol e que chova muitas vezes, com regularidade. A Igreja, que é nossa Mãe, quer que todos os instantes da nossa vida sejam iluminados pela luz do Mestre. Quer que entendamos sempre mais profundamente os seus ensinamentos: deste modo a nossa vida inteira será transformada e se identificará com o Evangelho. Para atingir esse objetivo o ano foi dividido em partes, denominadas tempos litúrgicos, cada um dos quais existe em função de uma grande festividade. Poderíamos dizer, portanto, que o ano é como uma roda de festas que nos apresentam todos os aspectos fundamentais da pessoa e da vida de Jesus. Aqueles que participam de uma forma dinâmica da vida da comunidade e nunca faltam à catequese dominical, ao final do ano conseguirão ter um conhecimento muito mais profundo da pessoa de Jesus; e deste modo também a vida da família, da comunidade e da própria sociedade civil será influenciada de uma forma marcante e aos poucos será transformada.
2. Origem do Ano Litúrgico
O ano civil começa no dia 1º de janeiro; a liturgia, porém, segue outro calendário e estabelece o início do ano no primeiro domingo do Advento. Parece, de fato, lógico que os acontecimentos da vida de uma pessoa sejam apresentados a partir do dia do seu nascimento, ou, antes até, a partir do momento em que a sua vinda é aguardada. Mas foi assim desde o começo da Igreja? Não. No século 1 os cristãos não tinham outra festa a não ser a celebração semanal da ressurreição do Senhor. No primeiro dia da semana (que os romanos chamavam “dia do Sol”) costumavam reunir-se para ouvir a Palavra de Deus, para celebrar a Eucaristia, e, nos primeiros anos, também para tomar a refeição em comum. Em seguida, todos voltavam para suas casas, despedindo-se uns dos outros, até o domingo seguinte. Não tinham outras celebrações, além dessa. Não passou muito tempo, porém, e a Igreja percebeu a necessidade de dedicar um dia do ano para a comemoração dos acontecimentos culminantes da vida de Jesus e por isso instituiu a Páscoa. No começo do século II essa festa já estava difundida em todas as comunidades cristãs. Sendo, porém, que um único dia destinado para celebrar a ressurreição de Cristo parecia muito pouco, pensou- se em prolongar a alegria dessa festa para sete semanas, os 50 dias de Pentecostes, que deviam ser celebrados com grande alegria, porque, — como dizia um famoso bispo daqueles tempos antigos, chamado Irineu — “estes dias são como um único dia de festa, que tem a mesma importância do domingo”. Passaram-se ainda muitos anos e por volta de 350 d.C. decidiu-se celebrar também o nascimento de Jesus. Mas em que dia nasceu Jesus? Ninguém sabia! Naquele tempo não existia o registro civil, como em nossos dias, e o povo se esquecia facilmente do dia e até mesmo do ano em que a pessoa tinha nascido. De que maneira, então, seria possível estabelecer a data do Natal? Naqueles tempos havia urna testa, conhecida como a ‘Festa do nascimento do Sol”; no Egito era celebrada no dia 6 de janeiro e em Roma no dia 25 de dezembro. Os pagãos estavam convencidos de que o Sol era um deus e por esta razão faziam uma festa para comemorar o seu nascimento. Era uma oportunidade na qual se divertiam, comiam e bebiam até se embriagarem, permitindo-se outras coisas que é melhor não contar. Quando, por volta de 350 d.C., os cristãos se tornaram numerosos, até mesmo mais do que os pagãos, o que decidiram eles? Mudaram o nome e o sentido da festa do “nascimento do Sol”. Estabeleceram esse dia para a celebração do nascimento de Jesus, pois, — assim pensavam — Ele é o verdadeiro Sol, a luz que ilumina todos os homens. E foi assim que, por muitos anos, o ano litúrgico teve seu início no dia 25 de dezembro. Por volta do ano 600 d.C. os cristãos julgaram que urna festa tão importante deveria ser preparada com muito esmero, e por essa razão decidiram que fosse precedida pelos quatro domingos do Advento e que o Ano Litúrgico deveria começar com o primeiro desses domingos: portanto, no final do mês de novembro ou no começo de dezembro.
|